encruzilhadas infinitas

Novembro 9, 2009

certa vez, me apresentaram muito claramente a grande sacada daquele filme efeito borboleta (que empresta muito da tal teoria do caos). naquele dia aquilo fez sentido pra mim de uma forma muito profunda. a proposição: cada impulso nosso sobre a realidade causa uma fragmentação do absoluto, afunilando as possibilidades da vida em caminhos sem volta. mas realidades alternativas poderiam ter existido caso os impulsos fossem diferentes. cada ação traz consigo uma onda de acontecimentos encadeados, uma fileira de dominós infinita.

pois bem. naquela mesma noite, a realidade se suspendeu por um instante. enquanto meu coração trabalhava em uma frequencia assustadora, o sangue que jorrava para o meu cérebro me causava delírios alucinados. e no meio do devaneio, tive um vislumbramento muito claro dos caminhos. eram portas abertas, luzindo em um fogo amarelo, que encaminhavam para mundos completamente diferentes. entre elas, um abismo escuro e um vento quente hipnotizante.

essa noite marcou profundamente minhas experiências futuras. ficou claro para mim que a cada momento, uma escolha é feita e uma centena de realidades são perdidas. mas ficou claro também que não escolher é muito mais oneroso. o abismo escuro vai lhe sugando volumes cada vez maiores de vida, até a hora que só falta pular de encontro à escuridão. Não escolher é proporcional à morte, de certa forma. nesse sentido então, prefiro a vida. exercer a possibilidade de moldar o caos à minha moda, não ser refém das causalidades. e assim, me torno mais feliz e presente em cada momento.

porém, volta e meia nos deparamos com situações que nos botam em rota de colisão com outras realidades. o que dizer nesses momentos? como agir nesses momentos? voltam aqueles sentimentos de perplexidade vividos naquela noite fatídica há tanto tempo atrás. angustia e ansiedade são os próximos sintomas. secura na boca, tremor e suor frio. mas aos poucos me acalmo. tenho certeza do meu caminho e não me perderei entre mil portas a cada encruzilhada. esses fragmentos de realidade abandonada não passarão de interlúdios oníricos diurnos.

Setembro 3, 2009

como é fácil se perder… aos poucos se dando em punhados generosos, logo está espalhado como pólem. esparramando vida de forma errática, cada pequeníssimo grão contém um universo. difícil é encontrar, no meio de toda a flora, o receptáculo perfeito para tanta infinitez.

Agosto 24, 2009

acho que estou apaixonadinho… mas ó, shhhhh.

Agosto 9, 2009

a única certeza é que o próximo trabalho tem que ser mais bem feito que o último.

Agosto 3, 2009

EU SOU UM NOVO HOMEM!

Julho 28, 2009

é um amor completamente impossível. completamente. mas completamente irresistível. can’t help it.

Julho 19, 2009

ela respira fundo. enquanto todo resto do mundo parece estar na melhor parte dos seus sonhos, ela olha pela janela procurando a origem dos primeiros raios de sol. acende um cigarro, mais um entre tantos outros que já havia tragado noite adentro. o silêncio externo contrasta com o burburinho dentro do seu peito. quando tudo o que desejava era limpar em definitivo sua mente e desabar denovo no colchão, um fragmento de letra de música não sai da sua boca e se acotovela com a serenidade.

ela caminha lentamente em direção a sala vazia. no chão, o laptop ligado com mil janelas abertas. conversas mal acabadas, fotos de desfiladeiros gelados na islândia, 1 email não lido que lateja. ela faz força pra ignorar tudo. abre o programa para ouvir músicas, põe o fone de ouvido e deita no chão.

enquanto ouve aquela canção (que já havia escutado outras 16 vezes antes da festa) sente uma angústia crescente. queria que sua vida tivesse ao menos uma pequena fração do significado que aquela música de 4 minutos tem. aos poucos vai se lembrando das risadas descontroladas, das conversas sem sentido, das presenças que parecem fantasmas. pessoas que só existem na penumbra. volta algumas horas, lembra de como seu coração se inflamou  ansiosamente. “paris is burning“. a vida está prestes a acontecer. o amor. o amor estava a sua espera. o que aconteceu no trajeto da lua? como sua esperança tão viva teria desfalecido de forma tão rápida?

as cinzas do cigarro que havia acendido caem sobre as costas da sua mão. ela promete nunca mais se sentir assim. quer viajar, ver o mundo. quer fazer coisas bonitas. ela gosta de fotografia, de desenhar formas geométricas. tem um amor por guitarras telecaster, filmes do wim wenders e quadros do hopper. se imagina vivendo de forma simples, mas com pequenos luxos como de vez em quando se presentear com uma caixa de chocolates belgas. não precisaria de muito espaço. suas ferramentas, seus apetrechos, um stereo hi-fi pra ouvir suas músicas. um afago de manhã. olhos que lhe vigiassem no meio da madrugada, meio zelando meio adimirando. uma companhia sincera, cumplicidade.

as lágrimas brotam pelos cantos dos seus olhos, se misturando com o resto de delineador que não ficou na fronha do travisseiro. seu nariz escorrendo entope a garganta, dificultando a respiração. ela se senta, soluçando. sua camiseta preta rasgada não cobre suficientemente suas pernas. seu cabelo está emaranhado. ela treme, sente frio. tão frágil. tão bela. sua imagem preenche uma tela, num loop com alguns frames a menos. intermitente. interrompida. ela sente como se as juntas dos seus membros estivessem se desparafusando e em breve se despedaçaria. lhe diziam:  ”tenha fé, pequena. você ainda vai brilhar muito.”. ela já não acreditava mais. levantou do chão gelado. juntou as cinzas. esticou o lençol da cama e pensou “vou tentar sonhar que pelo menos a isso ainda tenho direito”.

culpa.

Julho 17, 2009

juro que não sei o que pensar. estaria tudo a beira do fracasso por falta de esforço ou por uma grande fatalidade? afinal de contas, a culpa é de quem? quando o assunto é culpa, não consigo ficar muito imparcial. tenho a tendência de achar que a culpa de tudo é completamente minha ou então que a culpa é completamente dos outros. Esse conceito de que a culpa não é de ninguém e que as vezes as coisas acontecem meio que como estivessem sobre um trilho fora do controle direto é muito pouco esclarecedor. pior do que a culpa, acredito que seja a agonia. sei que prefiro, como num jogo de cartas, “pegar o morto” e tentar fazer algo a partir dele. eu absorvo a culpa de tudo internamente, e começa um processo de desconstrução. reconfigurado pela culpa (que as vezes nem  minha é). e muitas vezes, pra pior.

<3 rockstars

Julho 15, 2009

maria andersson - sahara hotnights

chan marshall ou cat power

grace slick - jefferson airplane

sharin foo - the raveonettes

susanna hoffs - the bangles

debbie harry - blondie

melissa auf der maur

gwen stefani

Julho 14, 2009

ECQo5EXNnjk3zrucY3nYlwBho1_r1_500